sábado, 24 de julho de 2010
Se me faltam palavras...
''Algum tempo atrás, talvez uns dias, eu era uma moça caminhando por um mundo de cores, com formas claras e tangíveis. Tudo era misterioso e havia algo oculto; adivinhar-lhe a natureza era um jogo para mim. Se você soubesse como é terrível obter o conhecimento de repente - como um relâmpago iluminado a Terra! Agora, vivo num planeta dolorido, transparente como gelo. É como se houvesse aprendido tudo de uma vez, numa questão de segundos. Minhas amigas e colegas tornaram-se mulheres lentamente. Eu envelheci em instantes e agora tudo está embotado e plano. Sei que não há nada escondido; se houvesse, eu veria.''
Frida Kahlo
Frida Kahlo
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Nunca Mais :)
Nunca mais verão, pé na areia, vento do litoral.
Nunca mais o sal na pele, gosto de pastel, beijo de Deus,
tanta paz!
E eu tento lembrar, mas não consigo entender porque tudo
parecia tão dificil naquele tempo, para mim me parece
a velha problematica do inconformismo juvenil, nunca havia
parado para pensar em como nossa juventude nos aprisiona.
Vejo aquela senhora sentada na cadeira de balanço, com todos os seus achados,
seus escombros, fotos empoeiradas, botões, lembranças...
Toda sua vida coube nessa estante, toda paz do mundo repousa em seus olhos.
Nunca mais o sal na pele, gosto de pastel, beijo de Deus,
tanta paz!
E eu tento lembrar, mas não consigo entender porque tudo
parecia tão dificil naquele tempo, para mim me parece
a velha problematica do inconformismo juvenil, nunca havia
parado para pensar em como nossa juventude nos aprisiona.
Vejo aquela senhora sentada na cadeira de balanço, com todos os seus achados,
seus escombros, fotos empoeiradas, botões, lembranças...
Toda sua vida coube nessa estante, toda paz do mundo repousa em seus olhos.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
A morte olhou pra mim,
Seus olhos eram cinza,
Cansados de toda experiência adquirida.
A morte olhou pra mim, me prendeu numa corrente de
Medo e contemplação, e depois sorriu.
Zombou da minha dor, da minha humanidade, entrou pelos meus poros,
Desceu como um frio na barriga.
Brindou um cálice de lagrimas, a um passado sem lembranças,
Rondando como o vento, tão certa como a batida do meu coração.
A morte olhou pra mim, e eu olhei de volta.
Seus olhos eram cinza,
Cansados de toda experiência adquirida.
A morte olhou pra mim, me prendeu numa corrente de
Medo e contemplação, e depois sorriu.
Zombou da minha dor, da minha humanidade, entrou pelos meus poros,
Desceu como um frio na barriga.
Brindou um cálice de lagrimas, a um passado sem lembranças,
Rondando como o vento, tão certa como a batida do meu coração.
A morte olhou pra mim, e eu olhei de volta.
segunda-feira, 1 de março de 2010
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Ainda na escola lembro que aprendi que o homem, em relação aos outros seres vivos, tem como principal diferença, a capacidade de pensar racionalmente. Eu até concordo com essa afirmação, mas certamente acrescento alguns parênteses. Nossa diferença, é de vivermos numa busca infinda de autoconhecimento, olho em volta, e percebo que as pessoas sentem o mesmo que eu, embora muitas delas se acomodem com a vida que nunca quiseram viver, enquanto outras preferem buscar a vida sonhada. Alguém me disse uma vez que nossas insatisfações são como um cobertor pequeno, Se o puxarmos, ficaremos com os pés de fora, entretanto se cobrirmos os nossos pés sentiremos frio da mesma maneira, pois nossos braços ficarão a mostra. Quem vive sem nenhuma insatisfação, já morreu a muito tempo.Imagine viver sem ter algo a conquistar, sem esperar mais das pessoas, Sem contestações, nem sonhos... É preciso sonhar, mesmo quando sabemos que nossos sonhos não vão se realizar, Sonhar nos lembra que estamos vivos!
Na infância as pessoas nos aconselham a seguir os nossos sonhos, então quando crescemos, elas se ofendem ao tentarmos. Não por maldade, mas por cuidado, a vida é tão doce quanto amarga,
O mundo conspira infinitamente contra e a favor, numa corrente sem fim interligando
A todos nós.
Na infância as pessoas nos aconselham a seguir os nossos sonhos, então quando crescemos, elas se ofendem ao tentarmos. Não por maldade, mas por cuidado, a vida é tão doce quanto amarga,
O mundo conspira infinitamente contra e a favor, numa corrente sem fim interligando
A todos nós.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Quase.
Segunda-feira, duas e meia da manhã,
e a certeza de um dia cheio pela frente.
Olho pela janela, e converso com a imensidão de pontinhos brilhantes, brinco com o isqueiro, fumo outro cigarro, a cidade não me responde.
As vezes até suspira, mas não me responde.
O silencio é avassaladoramente confortante, e eu até ensaio uma reviravolta, quase uma epifania, mas sei que nada se resolve assim, pois o sopro que traz a euforia é o mesmo que a leva embora.
Acabo ficando com o quase.
Cruel e sucinto, amargo como o gosto de ressaca e
de noite mal dormida, como o espaço entre as palavras.
O quase me cega, o quase me faz enxergar.
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Berro em Pé.
Férias antes dos doze anos era coisa de criança, poderia ser incrível ou um fiasco, a depender da programação dos pais, do tempo, das brincadeiras propostas, dos velhos amigos do prédio ou dos novos da praia, fazenda ou o que fosse. Férias aos doze não dependia mais de pai e mãe e muito menos do tempo lá fora. Eu já tinha um projeto de seio (dois, no caso) e minha saliva tinha engrossado justamente porque eu não comia mais só o que era molhado e mastigado pelos cuidados de quem cuida. O mundo seco me martelava e incendiava o tempo todo e haja liquido próprio pra continuar viva. Foi assim que na última aula do último dia útil do mês de junho, minutos antes do sinal que separava uma classe de setenta e dois alunos das primeiras férias adultas de suas vidas, chegou pra mim um bilhetinho que dizia “quando tocar o sinal é pra berrar e ficar de pé”. Eu olhei para trás e uma infinidade de garotos topetudos e garotas com brincos gigantes rasgando suas orelhas confirmaram o combinado com bochechas rosadas e olhos safados. Eu finalmente era um deles e combinei comigo que gritaria o mais alto que pudesse, pularia o mais alto que pudesse e ainda esmurraria o topo do céu o mais forte possível, como fazem os que vencem alguma coisa depois de muitos anos de sofrimento, semi desistências e vômitos de madrugada. Faltavam quatro minutos e eu olhava pra trás, agradecida até não poder mais por ter sido chamada a pertencer. Eu, aos doze anos, prestes a devorar a vida como se doze anos fosse ser muito velha e muito terminal e muito tanto que não pudesse ser mais nada, não estava tão sozinha assim no mundo, eu tinha enfim amigos que berrariam comigo, de pé, a chegada de alguma coisa que eu não sabia bem o que era mas que tinha a ver com meus peitos pequenos e meu coração batendo com arritmia de valsa bem no meio das minhas pernas. “Crescer não precisava doer tanto”, eu lembro que pensei ao sentir, pela primeira vez, que cada canto do mundo podia trazer o perfume da minha mãe. Ainda que o cheiro desse perfume de mãe não fosse o da minha. Crescer pode ser gritar quando não se aguenta e pode ser pular quando não se aguenta e pode ser com amigos já que, enfim, é de não se aguentar mesmo. Eu só perderia a virgindade dez anos depois daquele dia, eu só beijaria na boca dois anos depois daquele dia, eu só me masturbaria pela primeira vez três anos depois daquele dia. Mas aquele dia, lembro bem, eu coloquei meu cabelo atrás da orelha e senti, com o tom da voz mental menos infantil, que a vida podia vir que eu tava pronta e a mataria no peito. Eu não teria dor de barriga. Que venham as férias. E foi então que o sinal soou e eu berrei, de pé, com os braços muito esticados para o alto. Completamente sozinha. Seguida por caretas, dedos apontados e pelos sons de risos descontrolados, palmas e uivos de todo mundo. Essa é minha última lembrança antes de me sentir envelhecendo. Como uma criança que comemora sozinha. Como uma louca que não aguenta isso tudo que é tão bom e terrível e não disfarça mandando bilhete anônimo e nem se escondendo em grupos de risos e chacotas. E assim se seguiram todos os meus dias, até aqui. É sempre pra essa cena que volto, quando tenho a impressão muito convincente de que sinto os sinais que tocam com muito mais dor e grito e alegria que as pessoas que ficam na espreita dos que ansiosamente não suportam muito não ser puros. Na hora eu quis morrer de vergonha, ódio e medo, mas hoje eu vejo que desde o começo eu sabia da maldade mas preferi, como troca justa com o que minha história ainda tinha pra me contar, dar uma chance, até o fim, para que o mundo pudesse me amar do tamanho que a gente ama o mundo aos doze anos.
Tati Bernardi
Tati Bernardi
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